ESPIRAL DA SENSIBILIDADE E DO CONHECIMENTO

A ESPIRAL DA SENSIBILIDADE E DO CONHECIMENTO
Euler Sandeville Jr.

Nesta página, após o resumo abaixo, você encontrará o sumário de páginas disponíveis nesta seção.

 

Uma espiral é um movimento harmônico e imprevisível, tridimensional, que pode se expandir em todas as direções, e por isso mesmo não isento de contradições. É uma forma vaga e variada, que inspirou aquela ideia que temos da espiral como um desenvolvimento numa equação matemática e numa proporção áurea. Sua forma, entretanto, não precisa ser de uma geometria perfeita, pois essa ideia de perfeição seria uma abstração. Imaginemos uma espiral que pudesse se desdobrar em vários pontos e planos, livre da linearidade bidimensional do papel que faz parecer natural tudo ser plano. Imaginemos também que tocasse outras espirais, e a cada ponto surgissem ondas animando os mundos, como se várias pedras fossem atiradas quase simultaneamente na superfície de um lago.

Assim, o desdobramento da espiral, entre uma função matemática e um desenho aleatório, entre o expandir-se ao infinito de suas possibilidades e o convergir a um centro – no limite a um infinito interno que tende a um ponto de geração, põe em contato diversas visões de mundo. Visões de mundo que se agrupam e se dissolvem, como as imagens breves em um espelho d’água convidando o olhar ao repouso e ao movimento, à percepção de um ponto gerador que transborda. Essas imagens são segredos, que nos convidam de um modo ora suave ora intenso, aos lugares que as geraram e aos lugares para onde transbordam.

Euler Sandeville Jr, Memorial Espiral, 2003

A Espiral da Sensibilidade e do Conhecimento é um projeto poético, não-disciplinar, elaborado a partir de 2002. O conhecimento e o aprendizado são entendidos como uma construção partilhada de saberes e práticas. O projeto decorre de um longo caminhar apreendendo e em aprendizagem, permitindo propor o conhecimento como tendo uma potencialidade poética a par de cognitiva, e perceber a vida como ação estética e afetiva, compromisso social e aprendizado existencial com o outro. Arte.

A Espiral é colaborativamente mover nossos conhecimentos sobre as dinâmicas históricas, ecológicas, urbanas e socioculturais, ao lado de potencialidades afetivas e poéticas, reconstruindo-os conjuntamente com alunos e outros parceiros que venham a integrar esses projetos a partir de processos experimentais, sensíveis e cognitivos de entendimento e transformação. Para tanto, são desenvolvidos em grupos de estudo, de pesquisa e de aprendizagem em ação:

  • estudos sobre os processos e dinâmicas das paisagens e suas formas de apropriação social e pessoal
  • estudos de natureza histórica focando nas representações da natureza e da cidade
  • vivências pessoais
  • projetos acadêmicos e artísticos em processos colaborativos

Uma série de transformações, no campo do amadurecimento pessoal e no contexto social que vivemos, coloca para mim a necessidade de redefinir a proposição da Espiral, iniciando uma terceira ou quarta fase da proposta. O que ela guardará e inovará em relação às fases anteriores ainda é difícil para mim perceber. Um contexto extremamente polarizado em torno dos principais temas nacionais e humanos, o desgaste político dos espaços de debate e a intransigência crescente entre os grupos sociais em tensão, torna neste momento todos os campos essenciais muito sensíveis, dificultando a construção de consensos e diálogos.

Como registro, transcrevo abaixo formulações anteriores da proposta, enquanto não elaboro a nova síntese que seja significativa para a fase atual de minhas indagações e perspectivas de atuação. Uma coisa é certa, a ideia da Espiral, especialmente a partir de sua formulação inicial em 2002/2003, ainda continua operativa no âmbito do novo projeto A Natureza e o Tempo.

conteúdo:

Manifesto Espiral 2003 (abre nesta janela)

Manifesto Espiral 2008 (abre nesta janela)

Espiral da Sensibilidade e do Conhecimento: uma proposta poética de ação (2011) (abre nesta janela, em breve disponível nesta seção)

 

 

 

 

 

 

 

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