7. MUNDOS CONTEMPORÂNEOS (OU DEPOIS DO FIM DO MUNDO)

455557686971727477899601081215… MUNDOS CONTEMPORÂNEOS (OU DEPOIS DO FIM DO MUNDO)
Euler Sandeville Jr.
versão inicial 2007. Última atualização: 22/07/2017

Foto de folha de palmeira de Euler Sandeville (2010); Código de barras da Cultura, criado por Euler Sandeville (2007)

 

Esta seção do sítio ocupa-se principalmente de questões e eventos, de formas de ver e atuar, posteriores a 1945. A seleção das imagens procura, no caso da folha, possibilitar um leve efeito cinestésico ao olhar – você reparou? -, quando move a página para baixo e para cima. Preciso ver se ainda pode ocorrer em alta resolução, espero que sim. Com isso, um universo de significações, que não penso ser necessário esgotar aqui, é sugerido como um campo sensível e cognitivo ao visitante.

Logo abaixo, em continuidade à proposta de abertura desta seção, está situado em uma narrativa explícita com a folha da palmeira um código de barras muito especial. Coloca outras questões. É muito justo que abaixo dessa folha seja colocado um código de barras, se não mesmo um preço, o que não fazemos por aqui, mas é feito na base das relações contemporâneas. Essas duas imagens, com seu movimento na tela, embora sejam estáticas e com seu campo de significações próprio e entrelaçado, são como que um resumo aberto de A Natureza e o Tempo (o Mundo).

O que há de especial nesse código?  455557686971727477899601081215 é um código de barras da cultura (UPC/EAN: Universal Product Code-UPC; European Article Numbering System-EAN) que elaborei especificamente para este projeto na seção “mundos contemporâneos”. Sua primeira versão foi concebida em 2007, mas já estava em gestação havia muitos anos a indagação que dá origem A Natureza e o Tempo. O Mundo.

O código é formado por anos emblemáticos, embora, como toda seleção de eventos, e talvez ainda mais nesta, sejam insuficientes, mas de modo algum inconsequentes. Não se quer dizer, portanto, que estes eventos mencionados, e não outros, sejam mais representativos para este projeto, são apenas uma indicação poética e simbólica.

A escolha de um ambiente virtual para organizar esta investigação, e de um código de barras para indicar o período designado como contemporâneo coloca em evidência a intenção de discutir os impactos das tecnologias e do consumo nos valores. Mas, principalmente, os próprios valores em sua historicidade e natureza que se vão construindo no mundo que habitamos.

Trata-se da intenção de estabelecer uma interface comunicativa em seu processo de construção, ao invés de se apresentar como produto. Em um mundo de produtos, de aferição quantitativa dos valores, de imediatização e autonomização dos processos, é necessário perceber o trabalho, o tempo acumulado em cada coisa, as hesitações, o longo aprendizado que não termina, a beleza infinita do tempo. Mais, em um mundo onde o que conta é o sucesso, é necessário abrir espaço para o não necessitar do sucesso, pois o que está sendo oferecido como sucesso na verdade tem fracassado tantas e tantas vezes nas coisas mais básicas da vida – o respeito, a solidariedade, a integridade.

Nisso se propõe um problema de linguagem (no sentido mais amplo, do modo de estar no mundo), e no entendimento dos constrangimentos (sim, é um mundo de possibilidades, mas não necessariamente de liberdade) em que organizamos o pensamento-percurso-narrativas. O que abre possibilidades críticas e criativas, do meu ponto de vista. Tem, como o restante deste trabalho, a intenção de colocar em discussão o domínio da vida e da existência (e, portanto, da natureza). Indica também que se reconhecem problemáticas em escalas inteiramente novas e imprevisíveis, para as quais nos adiantamos rápido demais e sem ver de fato para onde vai esse caminho.

As imagens de abertura desta última seção podem assim sugerir tanto sua excepcionalidade e poética, quanto o jogo de poder, desejo e ambição que se estabelece em nossas ambiências, na base de um drama ético e social do qual não podemos nos subtrair, e com o qual, na maior parte das vezes, não podemos concordar.

Por outro lado, confia-se que os visitantes do projeto, procurarão discernir, para além desse código e das imagens – obviamente não só as desta página, mas as propostas ao longo de todo o sítio -, um conjunto complexo de relações, nexos, contradições aninhadas em nossas práticas. Assim, a teia de significados tecida a partir dos movimentos irregulares de construção do sítio espera, além de informar e convidar a descobertas várias, estimular uma reflexão sobre nossa forma de habitar o mundo.

Os eventos destacados para compor o código, e que devem expressar vários – não todos – dos aspetos do que se deseja indagar, estão listados abaixo. Os eventos da história nacional brasileira não foram incluídos na constituição desse código. Como a disponibilização de material em A Natureza e o Tempo não é nem linear, nem muito rápida, aos poucos, uma teia de links e caminhos tende a se estabelecer pelo sítio, possibilitando através dessas conexões percursos diversos.

imagens: bomba atomica em Hiroshima; embalagem do chiclet Juicy fruit; ovelha Dolly; muro de Berlin antes e depois, 1999; ataque terrorista ao WTC; EUA Presidente Bush, EUA, após o ataque; Pato Donald; guerra; porta-avião estadunidense; guerra; 1968; iraque kosovo; orc- fantasias violentas; Habitações populares sobre a Reserva da Cantareira, São Paulo; gabinete do Lula, foto após a primeira posse; enchentes em São Paulo, 1999

  • 1945: destruição por bombas nucleares de Hiroshima e Nagasaki. Ano do fim do mundo.
  • 1955: aos dez anos da destruição de Hiroshima e Nagasaki foi criado o parque temático Disneylândia na Califórnia por Walt Disney. Ray Kroc fundou a McDonald’s Systems, Inc..
  • 1957: publicação de On The Road, escrito em 1951 por Jack Kerouac, a sociedade vive através de seu avesso, como no século XIX conheciam o mundo sem sair de casa, conhecem o submundo sem prová-lo, e desde então, vive-se por um show de imagens que representam a realidade e sobre a qual cada um dá sua opinião sem medir consequências ou sem importar mais do que o self. Mas também foi o ano do lançamento do primeiro satélite humano: o Sputnik, pela URSS, a 4 de outubro de 1957, uma sexta feira, com 58 cm de diâmetro, antenas de até 3 metros, pesando 83 kg.
  • 1968: Maio de 68. Primavera de Praga e invasão soviética.
  • 1969: Festival de Música e Artes de Woodstock. Easy Rider. Um ser humano caminha na superfície lunar (missão Apolo 11).
  • 1971: WEF-World Economic Fórum, fundado por Klaus M. Schwab, que se reúne anualmente em Davos, Suíça.
  • 1972: Declaração de Estocolmo, aprovada durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em paralelo à crise do Petróleo.
  • 1974: Primeira compra de um produto com código de barras.
  • 1977: movimentos por redemocratização no Brasil.
  • 1989: Queda do Muro de Berlim. O físico inglês Tim Berners-Lee cria a World Wide Web.
  • 1996: Clonagem de Dolly.
  • 2001: ataque às torres gêmeas de Nova Iorque e início de uma nova onda de ações militares abertas na Ásia. Juntamente com a queda do muro de Berlim, esses eventos representam as faces do que chamamos de globalização.
  • 2012: comemoraremos os 40 anos das conferências globais sobre meio ambiente, ou as esquecemos diante de questões mais próximas e pragmáticas…
  • 2010 a 2017 e seguintes: anos difíceis no país e no mundo, que podem subdividir a consciência do rumo do mundo contemporâneo; mas com a brevidade da água que passa, tudo se esquece e nada se vê. Vivemos agora, como antes, em um mundo em guerra e miséria, embora se diga que amamos a paz…
  • o futuro se apresenta emergindo da boca imensa do presente

 



cite este artigo:
SANDEVILLE JR., Euler. “455557686971727477899601081215… mundos contemporâneos (ou depois do fim do mundo)“. Disponível em http://anaturezaeotempo.net.br/, 2007, acesso em XX/XX/201X.

Consulte a LICENÇA DE USO na seção ANEXOS ao utilizar material deste blog.:


uma proposta de euler sandeville

 

 

 

 

 

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