NÚCLEO DE ESTUDOS DA PAISAGEM – LINHAS DE TRABALHO
docente responsável: Euler Sandeville Jr.

UM ESFORÇO INTERPRETATIVO E ATIVO

Parte-se da problematização da paisagem como experiências partilhadas e da proposição poética da Espiral da Sensibilidade e do Conhecimento. As paisagens que nos ocupam são entendidas como um campo de tensões e contradições, mas também de possibilidades, evidenciando o drama e os anseios do trabalho e dos desejos humanos que essas paisagens abrigam em sua construção histórica, ecológica e cultural. Coloca-se assim em questão as implicações sociais contraditórias e as potencialidades que se abrem com esses estudos.

Tal entendimento é base para estudos de paisagem e das especificidades culturais e arranjos ou apropriações espaciais referentes a determinadas comunidades ou grupos sociais, sobretudo em condições de exclusão, alteridade e preconceito. Nesse sentido, coloca-se o desafio de não cair nem na sua idealização pela supressão de suas contradições e disputas internas, nem (desafio ainda maior) negar a outros sujeitos que lhes são (ou também nos são) antagônicos, as próprias razões, sem com isso nos eximirmos de um necessário posicionamento ético e crítico. Trata-se de um esforço interpretativo desvendado na experiência do real e no convívio, que ainda assim precisa ser qualificado, e que se direciona a uma capacidade de transformação fundada em princípios solidários e colaborativos.

Procuramos estudar e aprender em ação com outros parceiros os modos de produção e apropriação do espaço, através de práticas colaborativas, participantes e de gestão partilhada, bem como de estudos da história da cultura, focando nas realidades locais e relacionando-as nos sistemas ambientais e na estrutura urbana. Estabelecemos assim múltiplas camadas temporais e escalas espaciais que nos desafiam no processo de percepção e conhecimento.

O grupo de pesquisa reúne uma ampla diversidade de pesquisadores de diversas áreas de formação que atuam colaborativamente em um programa integrado de trabalho, incluindo bolsistas de pré-iniciação científica, bolsistas de iniciação científica, de mestrado, de doutorado e de pós-doutorado, além de pesquisadores populares e outros colaboradores. As pesquisas integram-se em grupos de estudos que organizamos buscando articular a compreensão local em uma compreensão de conjunto do setor urbano e de vetores e processos mais amplos que o impactam, ou mesmo em estudos temáticos de natureza histórica sobre as representações sociais e construção de saberes sobre a paisagem. As abordagens estabelecem uma articulação entre as pesquisas, disciplinas de graduação e pós-graduação e outras atividades colaborativas ou de formação.

As três linhas de ação apresentadas abaixo entrelaçam-se e interprenetram-se.

UNIVERSIDADE LIVRE E COLABORATIVA: Processos Colaborativos de construção do conhecimento e Aprendizagem em Ação
constitui o grupo de pesquisa: Paisagem, Cultura e Participação Social

Essa linha valoriza a capacidade interpretativa dos processos urbanos e ambientais relacionando escalas regionais e locais, acompanhando políticas públicas, realizando estudos de percepção e de memória da paisagem com moradores, estudos de conectividade ambiental urbana, estudos colaborativos de potencialidades de paisagem.

Trata-se de uma pesquisa exploratória que se entrelaça com outras pesquisas docentes, suas atividades didáticas e de orientação, constituindo uma base empírica de aplicação e diálogo. Espera-se contribuir na construção de processos autogestionados e independentes na transformação do ambiente, sobretudo a partir da ação no âmbito cultural, do aprendizado (educação) livre, e da pesquisa participante.

Os trabalhos foram iniciados nessa perspectiva em 2002, e com a constituição do Núcleo de Estudos da Paisagem em 2003. Adotamos a partir de 2008 um foco na Região Metropolitana de São Paulo, o que permitiu uma articulação crescente entre as pesquisas e entre essas e as demais atividades desenvolvidas pelo grupo em projetos de ensino e ação com parceiros externos à USP, permitindo constituir a partir de 2012 o programa UNIVERSIDADE LIVRE E COLABORATIVA com professores, moradores, lideranças locais na região Noroeste da metrópole, compreendendo o setor indicado pelos Parques do Juqueri, Cantareira e Jaraguá, em especial do Distrito de Perus.

4555576971727412 + POÉTICAS E REPRESENTAÇÕES DA NATUREZA E DA CIDADE
integra os grupos de pesquisa: Paisagem, Cultura e Participação Social (FAU) e Paisagem, Cidade e História (FAU, FFLCH,FE)

Essa linha desenvolve estudos históricos da paisagem e da cultura, em uma perspectiva da contemporaneidade inserida e pensada em uma longa duração. Estuda a ideia de paisagem e suas representações, discutindo em diferentes períodos históricos a natureza e o espaço urbano e reconhecendo a construção de conhecimentos, poéticas e conflitos implicados nessas construções e sensibilidades para com a paisagem. Contribui assim para o debate cultural na produção e apropriação das paisagens, correlacionando arte, cultura, natureza e cidade. Dá continuidade aos estudos iniciados, no nível de pós-graduação, no mestrado (A Herança da Paisagem, 1986-1993) e doutorado (As Sombras da Floresta. Vegetação, Paisagem e Cultura no Brasil, 1994-1995) e na pesquisa Arte, Natureza e (a Invenção) da Paisagem (2003-2011), Paisagens Contemporâneas: Contracultura Resistência E Espetáculo (2007-2013).

São duas as investigações priorizadas no momento:
a) REPRESENTAÇÕES DA NATUREZA E DA CIDADE NO BRASIL
b) A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO SOBRE A PAISAGEM NA ARQUITETURA E URBANISMO

POÉTICAS DA PAISAGEM E DA INTIMIDADE

Além das duas linhas de pesquisa, o Núcleo de Estudos da Paisagem propõe ainda vivências experimentais e ações poéticas na cidade, colocando em questão aspectos afetivos e valorações e discutindo arte, cultura, participação, evolução urbana e questões socioambientais. Constitui-se em processos de natureza poética e criativa, também processos de aprendizagem mas que não estrutura pesquisas, pois se dá em ações específicas que decorrem da construção do conhecimento e da sensibilidade a partir de proposições criativas de forte potencialidade estético-existencial (estese). Estabelece assim a possibilidade de ações individuais e coletivas poéticas e sensíveis na vivência da paisagem urbana e com a natureza. São uma forma de conhecimento e ação distinta das pesquisas, mas essas três linhas de trabalho imbricam-se o tempo todo.

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