NÚCLEO DE ESTUDOS DA PAISAGEM – DIRETRIZES / VALORES
docente responsável: Euler Sandeville Jr.

 

O Núcleo de Estudos da Paisagem adota metas ou diretrizes visando qualidades não apenas na pesquisa, mas no desenvolvimento mais pleno do pesquisador e do grupo. Essas metas envolvem três áreas:

a) a das relações consigo mesmo, com a orientação e com os colegas no grupo;
b) a dos compromissos do Núcleo de Estudos da Paisagem enquanto partícipe da universidade pública com a função social da pesquisa e do ensino;
c) a dos objetivos e qualidades das relações que o Núcleo e seus pesquisadores estabelecem no campo, e dos compromissos em nossos trabalhos com as pessoas envolvidas.

Esse conjunto de recomendações intenciona direcionar focos e estratégias. Entendemos que isso complementa, na relação com nossos parcerios e com as populações, compromissos que o pesquisador deve ter em mente e que são afinados com os princípios da Espiral. A seguir apresento essas diretrizes, que obviamente não se pretendem normativas, mas orientadoras. Não se deve confundir essas diretrizes com um procedimento normativo, pois não são. AlémDIRETRIZES disso, estão abertas, e a sua transformação se verifica no amadurecimento cognitivo e emocional que ocorre no diálogo com outros parceiros e grupos. No entanto, espera-se que contribuam na realização na prática dos objetivos e princípios fundantes do Núcleo de Estudos da Paisagem.

Propõe-se como objetivos na relação pesquisador-pesquisa-grupo de pesquisa:

  • aprender em ação com outros parceiros, eticamente motivados a partir de um crescimento pessoal e do aprendizado no diálogo e na escuta do outro;
  • estabelecer uma investigação crítica das próprias percepções e valores na interação com outras paisagens e sensibilidades, na construção conjunta com outras pessoas e grupos;
  • estabelecer processos experimentais de vivência, sensibilização e crítica individuais e coletivas, a partir dos canais possibilitados pela universidade e por formas de associação autônomas em relação a ela, a partir de programas de conhecimento-ensino-aprendizagem em ação;
  • desenvolver pesquisas vinculadas a esta proposição, fundadas em uma base ética e em uma preocupação social ativa, que problematizem e contribuam para o avanço do quadro referencial e metodológico do grupo de pesquisa a partir do enfrentamento de problemáticas específicas (estudos de caso e proposições experimentais de ação coletiva);
  • contribuir na organização e aprofundamento de grupos de estudo de movimentos culturais e seus processos criativos, de referenciais teóricos sobre educação livre e processos coletivos, da produção social do espaço e cognição (percepção) da paisagem.

Propõe-se como objetivos na relação universidade-sociedade:

  • confrontar o ambiente acadêmico com formas de valoração e organização externas a esse ambiente, esperando gerar uma tensão crítica que contribua para discutir o papel da Universidade, do conhecimento narrativo (prosaico) próprio do discurso acadêmico e de processos criativos decorrentes da sensibilidade (poética);
  • estabelecer com parceiros externos à universidade processos de autogestão, mutualismo, ensino livre, diagnóstico e proposição socioambiental, promovendo organizações autônomas e independentes de capacitação e ações transformadoras do ambiente;
  • desenvolver métodos e programas de trabalho de educação e memória popular fundados no ideal do ensino e do conhecimento livre, independente e ativo, e a capacitação para formação de novos pesquisadores e docentes, ampliando o acesso ao conhecimento e suas estruturas integrado em programas de ação efetiva.

Propõe-se como objetivos na relação Núcleo de Estudos da Paisagem-comunidade-espaço urbano:

  • experienciar e pensar processos criativos e cognitivos na vida cotidiana e na memória da experiência vivenciada como fundamentais a uma ação transformadora do ambiente;
  • pensar sobre os processos criativos e motivacionais, em diversas formas e percursos que almejem vias alternativas e autônomas de gestão coletiva, produção solidária, e convivência;
  • contribuir pela experimentação direta e coletiva de formas colaborativas de gestão e aprendizado para a discussão de um ensino universitário experimental e ancorado na capacidade de produção de conhecimento solidário e livre;
  • favorecer a promoção de autonomia na interpretação do ambiente e identificação de seus problemas e na capacidade de propor e construir soluções estratégicas e de monitoramento das condições básicas de habitabilidade (incluindo conhecimentos ambientais e de produção e uso alternativo de recursos), saúde e educação em projetos integrados;
  • reconhecer o direito das populações e pessoas envolvidas de serem informadas sobre a natureza e procedimentos da pesquisa;
  • reconhecer o direito de acesso aos resultados da investigação como um compromisso do pesquisador e discutir esses resultados com os colaboradores, em um processo aberto e participante de discussão.

 

aprender com a cidade, aprender na cidade

 

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