ESCLARECIMENTO AOS NAVEGANTES
Euler Sandeville Jr.
Versão inicial 18/03/2016. Novo texto: 06/03/2017. Revisões importantes: 15/06/2017 e 21/08/2017.


para citar este artigo:
SANDEVILLE JR., Euler. “Esclarecimento aos navegantes”. A Natureza e o Tempo (o Mundo), on line, São Paulo, 21 de agosto de 2017. Disponível em https://poeticasdapaisagem.wordpress.com/2017/05/21/esclarecimento-aos-navegantes/ com acesso em XX/XX/201X.


 

Peter Apian, Cosmographia, Antuépia, 1524 e Caspar David Friedrich (1774-1840), Caminhante Sobre o Mar de Névoa. Crédito das imagens no final da página

A proposta que alimenta este sítio foi concebida como síntese de uma intensa reflexão que atravessou o ano de 2015 e de uma retomada de pesquisas e indagações que remontam a trabalhos realizados desde o início da década de 1980. Convergiu em A Natureza e o Tempo O Mundo) a partir do início de 2016. O que talvez melhor defina meu interesse mais recente é o estudo das representações e do imaginário em suas dimensões históricas, relacionando os campos das artes, da história ambiental e da paisagem.

Esta interface virtual não é apenas, ou nem tanto, uma proposta de extroversão das pesquisas e estudos. É mais um espaço de indagação e proposição pessoal em elaboração contínua, não linear.

De certo modo, funciona como um caderno de reflexões que se refaz sempre que necessário. Isto é, os textos, e toda a modulação do sítio, suas páginas e imagens, integram tanto um projeto de construção e significação do conhecimento, quanto pretendem ser um projeto comunicativo! Não está isento de tensões, de posicionamentos que podem ser revistos, de tatear os significados de modo exploratório e de vislumbrar horizontes.

Os ensaios inserem-se em uma perspectiva de longa duração convergindo na reflexão sobre nossa condição contemporânea. São ênfases dessa pesquisa o pensar e sensibilizar próprio da arte em suas diversas linguagens e contradições; a cultura em seu sentido antropológico; a construção contraditória e significativa do espaço vivido em que se inserem. Nesse sentido, a pesquisa indaga as transformações comportamentais e valorativas implicadas em diferentes épocas, em suas dimensões históricas e culturais, observando-as como representações de mundo e poéticas.

Considera-se de grande importância pensar as articulações entre campos do saber e do fazer, em especial arte, arquitetura, paisagismo, urbanismo e da cultura cotidiana. Procura-se situá-los em seu ambiente espacial e cultural, observando-os como campos sensíveis e da experiência e como projetos culturais diversos que em suas narrativas acasalam representações e poéticas em uma longa construção.

Os temas de uma história da natureza, ou da paisagem (e nisso se inclui o projeto, em especial o paisagismo como parte do agenciamento do espaço social), ou ainda história ambiental como tende a se colocar hoje um suposto novo campo (termo de abrangência muito problemática atualmente), não têm como se constituir à revelia de outros, da história urbana, das artes, das mentalidades e assim por diante.

Em qualquer hipótese, seja história da natureza, da cidade, ambiental, é antes de mais nada uma história cultural, devedora das construções sociais e do imaginário. Se não as dissociarmos em especializações, ao contrário, nos beneficiarmos delas, a temática expõe nossas concepções – e daí nossas concepções sobre as concepções de outros tempos – sobre as relações sociais, culturais e das mentalidades entre sociedade e natureza, entre poética e natureza; entre o projeto, a imaginação e a construção social do espaço e do ambiente em diferentes períodos.

O recorte temático desta fase que aqui apresento retorna a tempos que não explorei antes, como a Antiguidade e a Idade Média, mas basicamente parte e se volta para o presente, com foco na discussão da cultura ocidental. A fase inicial, voltada para uma circunscrição ou primeira aproximação dessas narrativas mais distantes do passado, e uma revisitação gradual dos períodos já trabalhados em fases anteriores dos meus estudos, foi pensada como devendo durar de três a cinco anos (2016-2020). Dada a complexidade, é razoável supor algo assim, mas cada vez menos isso é o que importa. Um trabalho como esse está condenado a se reiniciar e a revisitar conteúdos já trabalhados e novos permanentemente.

O que interessa nesse processo é permitir uma circunscrição crítica e poética sobre várias representações da natureza e do mundo, em diferentes contextos históricas. Na minha forma de pensar, contextos históricos necessariamente são também espaciais, ou seja, não há sociedade sem construção do espaço em complexas interações. Daí, também, a dimensão sensível da construção desses espaços no tempo, dos artefatos, e das representações (do imaginário), é prenhe de valores e sensibilidades, de latências e tensões, de beleza.

Este trabalho pode ser considerado a síntese e a base das indagações que passa a orienta aulas e pesquisas a partir deste momento e deve, como nas fases anteriores, convergir em diversas disciplinas de graduação e pós-graduação, além de cursos de extensão, bem como publicações, em especial as deste sítio. Em um prazo maior, poderá convergir também em projetos de formação e valorização da natureza, bem como de acesso a conhecimentos necessários para transformação do ambiente, reinventando o projeto da Espiral da Sensibilidade e do Conhecimento à luz de um novo amadurecimento.

Pesquisar é indagar a existência. Todo esforço de conhecimento sempre foi, para mim, um esforço de indagação do mundo, do ser no mundo entre outros, de crítica social e cultural, de suas heranças, de debate comportamental, de condição existencial. Não me proponho, como nunca me propus desde que comecei minha atividade de pesquisa e docência, a excluir os campos das sensibilidades ou o das razões no processo cognitivo de construir conhecimento. Trata-se de elaborar um exercício profundo e continuado, discernindo entre a informação e sua crítica, o confronto de saberes longamente formulados e as narrativas que vão se reconstruindo.

O debate histórico da cultura e da paisagem é necessário para compreender nossas heranças (podemos dizê-lo apenas quando olhamos nosso tempo, ao olhar outros tempos devemos reconhecê-los não apenas em sua alteridade, mas em seu próprio tempo). Essa construção da história e do presente é uma inquieta gestação de nossa condição humana e espiritual (quando se reconhece uma), e sua indagação é também a problematização de para onde apontam os movimentos em curso, dos quais percebemos por vezes apenas as sombras em movimento.

Ainda uma observação necessária: como abordado aqui, a paisagem não implica em uma distinção entre vida pública e vida privada, ao contrário, as inclui. A continuidade da paisagem, como experiência e como fato geográfico, não obriga a segmentar o “indoors” do espaço aberto; ao contrário, ainda mais se tratando de cultura, deve reconhecê-los e elaborá-los continuamente, ao invés de dissociá-los.

 

 


para citar este artigo:

SANDEVILLE JR., Euler. “Esclarecimento aos navegantes”. A Natureza e o Tempo (o Mundo), on line, São Paulo, 15 de maio de 2017. Disponível em https://poeticasdapaisagem.wordpress.com/2017/05/21/esclarecimento-aos-navegantes/ com acesso em XX/XX/201X.

Consulte a LICENÇA DE USO no menu superior no cabeçalho deste sítio ao utilizar material deste blog.

 


uma proposta de euler sandeville

 

 

IMAGENS DE ABERTURA DESTA PÁGINA

Esquema da referido divisão das esferas. · O Empíreo céu (de fogo), habitação de Deus e de toda os eleitos · 10 Décimo Céu, causa primeira · 9 Nono céu, cristalino · 8 Oitavo céu do firmamento · 7 Céu de Saturno · 6 Jupiter · 5 Marte · 4 Sol · 3 Venus · 2 Mercúrio · 1 Lua. Fonte: Peter Apian, Cosmographia, Antuépia, 1524 (fonte mencionada Edward Grant, “Celestial Orbs in the Latin Middle Ages”, Isis, Vol. 78, No. 2. (Jun., 1987), pp. 152-173.) Disponível em https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ptolemaicsystem-small.png. Acesso em 30/01/2016.

By Caspar David Friedrich – Web Gallery of Art, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1037098. This work is in the public domain in its country of origin and other countries and areas where the copyright term is the author’s life plus 100 years or less. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Caspar_David_Friedrich acesso em 09/03/2016.

 

 

 

o wordpress eventualmente coloca anúncios por sua própria decisão e para sua própria manutenção.

em nenhuma hipótese qualquer anúncio nesta página tem a ver comigo ou com este projeto.

 

 

Anúncios